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ZONA 7
A mudança no Voleibol Feminino
  
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João Saudade é uma figura incontornável no voleibol em Portugal. Técnico e Coordenador da Lusófona Voleibol tem um conhecimento e uma clarividência fora do normal em relação ao Voleibol feminino. Apresenta-nos uma opinião clara, incisiva e objectiva, tal como vem sendo habitual.

Época fantástica no Voleibol feminino em Portugal. Em tempo de crise económica, o surgimento de novos valores e o trabalho de base acabam por ser a “estratégia forçada” da maioria dos clubes. No escalão adulto, uma primeira fase de bom nível. A maturidade e experiência de jogadoras que muito têm feito pelo Voleibol nacional estimulada por uma juventude de grande valor (e quem ainda diz que em Portugal não existem jogadoras altas está enganado), fizeram com que equipas como Leixões, Gueifães e Castêlo da Maia atingissem excelentes resultados. O habitual e reforçado Ribeirense venceu a primeira fase sem contestação.
 
A crise é apenas económica porque de valores não se sente. Jogadoras e técnicos souberam responder às dificuldades com determinação.

Na zona de Lisboa ressurge um Belenenses merecedor de melhores lugares. Foi a equipa que mais mereceu estar entre os apurados para a segunda fase.

Numa segunda linha de equipas o regresso do Lusófona Voleibol à principal divisão. O trabalho de formação a longo prazo começa a dar frutos. Pelo meio um apagado SC Braga que vai certamente melhorar na segunda fase. Longe destes resultados o esforço e superação de três equipas com grandes dificuldades – Sto. Tirso, CS Madeira e Câmara de Lobos.

Em ano de grandes mudanças, numa estratégia economicista, a formação mudou. Depois de anos em que a modelo competitivo valorizou o crescimento de jogadoras e clubes, surge a limitação geográfica. Se a norte os efeitos não são visíveis, numa primeira fase competitiva e muito emotiva, a sul o nível volta a baixar por falta de nível desportivo. E nestes escalões a modalidade deve saber gerir o esforço económico com a necessidade de evolução desportiva.

Surgem projectos ambiciosos – o Rosário Voleibol.

Mantêm os resultados habituais Leixões, Gueifães, SC Braga, Castelo da Maia, Vilacondense, Académica S. Mamede, Juventude Pacense, Arcozelo.

Por Viseu continua forte o Colégio Lamego.

Treinadores e nomes com currículo nacional optam pelo voleibol de formação… e outra vez o Rosário com José Moreira, Miguel Maia e João Brenha.

A sul o já tradicional Lusófona Voleibol e a fantástica equipa do Col. Sagrado CM. 

Falta o clique, falta o que todos esperamos – um verdadeiro projecto nacional para o Voleibol Feminino.

Continuamos com uma Selecção sem resultados, continuamos sem saber bem o que fazer de tanta quantidade e cada vez mais de muita qualidade.

Talvez começar a pensar num modelo de gestão, num modelo de recrutamento baseado nas pessoas, no esforço, na dedicação e principalmente na escolha da opção Voleibol.

Alguma empresa escolhe o seu funcionário apenas pelo aspecto visual? Não. Mas continuamos apenas a escolher pela altura ou indicadores que jamais farão a diferença, As pessoas, essas sim,  farão a diferença.


 
João Saudade
 
 
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Comentários
Busca
sovolei (Registered) Y-m-d H:i:s

Boas
Pode parecer estranho, mas mesmo depois de ter discordado tanto das suas
opiniões, fico contente porque mais uma vez deu a cara, para falar no Voleibol
feminino.
Tal como anteriormente não concordo com tudo aquilo que escreve.
Neste seu artigo gostava apenas de dizer algumas pequenas coisas.
“Continuamos com uma Selecção sem resultados” A seleção de cadetes não teve os
melhores resultado, podia ter feito mais…
“Rosário com José Moreira, Miguel Maia e João Brenha”. Falta referir aqui um
grande treinador cujo nome pode não ser muito sonante, mas quem sai aos seus não
degenera. Estou a falar do “Rui Moreira” quanto aos outros apenas posso dizer
que infelizmente um grande jogador nem sempre é um bom treinador…seja ele na
formação ou no feminino.
sovolei (Registered) Y-m-d H:i:s

No caso do leixões e como fala também deste clube gostaria de referir também a
aquisição de um grande treinador de formação, José Afonso, este pegou nos minis
deste clube, tenho a certeza de que fará um trabalho tão bom ou ainda melhor do
que o que fez no Castelo da Maia.
Quanto à captação de novos talentos para as seleções, muto ainda está para
dizer, apenas e mais uma vez lhe digo que o problema principal não está na
“cubana”, mas sim em quem manda que está sempre disponível para a fotografia e
continua a desprezar todo o trabalho que é feito pelos treinadores.
De salientar a sua frase “A crise é apenas económica porque de valores não se
sente. Jogadoras e técnicos souberam responder às dificuldades com
determinação.”
Parabéns e continuação de bom trabalho.
A mudança no Voleibol Feminino
sovolei Y-m-d H:i:s

João Saudade,

Torço como poucos para que atinjam a maturidade voleibolística no mais curto
espaço de tempo. Bem sabe que venho tentando debater aqui e no Procrie aspectos
pertinentes ao desenvolvimento de uma boa Formação para seus atletas. Mas a
impressão que me passam - só os conheço pelo sovolei - é que ainda muitos passos
terão que ser dados. A escassez de dinheiro não será suficiente para justificar
qualquer coisa, mas a Metodologia a empregar parece que jamais foi ventilada.
Continuam dando voltas, confundindo ponto de partida com o ponto de chegada. A
selecionadora toca a sua equipe à revelia do país, alguns dirigentes privilegiam
atletas brasileiras em detrimento das nativas e nada muda. Parece que todos os
dias são os mesmos. Quem viu o filme "Feitiço do tempo" há de entender
que sem mudanças drásticas o tempo não passa. Mexam-se!
A mudança no Voleibol Feminino
sovolei Y-m-d H:i:s

Quanto a saber quem é melhor treinador na Formação, tema abordado pelo leitor
Joshuacmcl, poderão ilustrar-se fartamente em leituras especiais no Procrie,
calcadas em teoria moderna e por mim alardeada após a leitura do livro "O
código do talento", de Daniel Coyle. Todavia, não lhes bastará identificar
"o quê fazer", mas também "como fazer". Na última década do
século passado a Itália passou pelos mesmos problemas, pois passaram a
identificar e a cadastrar moças altas por todo o país. Só melhorou quando
unificaram e padronizaram métodos modernos de treinamento. Todos deverão remar
na mesma direção, caso contrário de nada valerá o esforço de um ou dois.
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