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Olimpismo
Por Ana Rita Gomes
![]() “Olympism is not a system – it is a state of mind.” Pierre de Coubertin
Ainda muito imbuída do espírito que se vive nos Jogos Olímpicos e sempre coerente com as ideias dos artigos anteriores
(“Para ser mudança, há que ser mudança”; “O sonho comanda a vida”), escolhi esta partilha de Pierre de Coubertin para resumir a época de voleibol de praia 2012.O olimpismo pode não ser um sistema, mas é o sistema que permite uma organização ímpar e que a emoção que lá se vive seja sempre única. É também o sistema que permite que alguns atletas se apurem e que outros ganhem medalhas. Um sistema, de acordo com a Wikipédia, “é um conjunto de elementos interconetados, de modo a formar um todo organizado. O termo sistema significa "combinar", "ajustar", "formar um conjunto". (...) Todo sistema possui um objetivo geral a ser atingido. O sistema é um conjunto de órgãos funcionais, componentes, entidades, partes ou elementos e as relações entre eles, a integração entre esses componentes pode dar-se por fluxo de informação, fluxo de matéria, fluxo de sangue, fluxo de energia, enfim, ocorre comunicação entre os órgãos componentes de um sistema. (...) A boa integração dos elementos componentes do sistema é chamada sinergia, determinando que as transformações ocorridas numa das partes influenciará todas as outras. A alta sinergia de um sistema faz com que seja possível este cumprir sua finalidade e atingir o seu objetivo geral com eficiência; por outro lado, se houver falta de sinergia, pode implicar no mau funcionamento do sistema, vindo a causar inclusive falha completa, morte, falência, pane, queda do sistema, etc. (...) Vários sistemas possuem a propriedade da homeastase, que em poucas palavras é a característica de manter o meio interno estável, mesmo diante de mudanças no meio externo. As reações homeostáticas podem ser boas ou más, dependendo se a mudança foi inesperada ou planeada.” O voleibol de praia português será um sistema? Será um estado de mente? Há sistemas que permitem a construção de projetos de sucesso porque as sinergias (sem grande dispêndio financeiro) permitem a sua continuidade e sustentabilidade. Há sistemas que permitem a construção de projetos que nunca chegam a ser de sucesso porque são constantemente interrompidos por fatores de variadíssima ordem. E há sistemas que, simplesmente, não têm projetos. Qual será o sistema do voleibol de praia português? Há distintos estados de mente. E há sistemas que promovem um estado de mente, independentemente dos diferentes estados de mente, procurando inclusive contribuir para o sucesso desse estado de mente individual. Qual o estado de mente do organismo que rege o voleibol de praia português? Qual o estado de mente dos treinadores de voleibol de praia portugueses? Qual o estado de mente dos árbitros de voleibol de praia portugueses? Qual o estado de mente dos atletas de voleibol de praia portugueses? Fica apenas este apelo à reflexão (individual e conjunta) dos distintos intervenientes deste sistema. Tendo em conta este preâmbulo e que três meses de trabalho serão sempre insuficientes para saber qual a variável que mais contribui para o sucesso/insucesso numa competição (de um mês no feminino e de mês e meio no masculino), não houve grande surpresa nos resultados do circuito nacional. Sobressai a regularidade das três primeiras classificadas no feminino e das quatro primeiras classificadas no masculino. Raquel Lacerda / Joana Vasconcelos são campeãs nacionais na única etapa que venceram este ano. Tânia Oliveira / Joana Resende são vice-campeãs e segundas do ranking nacional pelo terceiro ano consecutivo. Bronze para Juliana Antunes / Ana Freches, líderes do ranking nacional. Foi a única etapa que não foram à final. Jogando há três anos juntas, são bicampeãs nacionais e venceram todas as etapas nesses anos (2010 e 2011). No masculino, Roberto Reis / Fabrício Silva (“Kibinho”) são tricampeões nacionais. Ganharam duas etapas e a final. Fabrício Barros / Januário Silva são vice-campeões e o Bronze ficou com José Pedrosa / João Simões. Os líderes do ranking, Rui Moreira / Pedro Rosas (das sete etapas, foram a 5 finais e conquistaram 3) ficaram em 4º lugar. Nos Subs, o título de campeão é individual e atribuído pelo número de pontos conquistados ao longo da época. O quadro competitivo dos sub17 feminino incluiu quatro duplas. A campeã é Rita Novo. Estiveram presentes apenas duas equipas em sub19, sendo que uma dupla jogou pela primeira vez junta. É campeã a Daniela Silva. As sub15 não tiveram esta última etapa, sendo que o título de campeã foi atribuído a Margarida Rocha e Mariana Taveira. Relativamente aos sub masculino, o quadro competitivo estava composto por quatro duplas em ambos os escalões. Sempre muito equilibrado (campeonato e final), os campeões são Tomás Rocha e Bernardo Silva nos sub17 e Jorge Graça e Pedro Ribeiro nos sub19. Os sub15 não tiveram esta última etapa, sendo que o título de campeão foi atribuído a João Rocha e João Almeida. Foram muitas as etapas proporcionadas a estes jovens atletas e já são muitos os que, espontaneamente, querem treinar de forma sistemática e que dispensam as férias para participar assiduamente nas competições. É excelente, mas na minha opinião, insuficiente para Portugal ter duplas a competir de forma equilibrada a nível mundial. Tudo se faz por etapas, passo a passo. É essencial fazer captação de atletas para o voleibol de praia. Não contar apenas com os que aparecem espontaneamente, nomeadamente no feminino. Numa primeira fase podem e devem jogar todos com todos, contra todos. No entanto, há também um momento em que é necessário fazer um trabalho específico de equipa (com vários atletas), o ano todo, vários anos consecutivos, com uma estrutura robusta, alicerçada nas várias componentes do rendimento para que não se tenha que recomeçar constantemente e que se dê sempre continuidade, independentemente do que aconteça. Pelo terceiro ano consecutivo, a final do nacional de voleibol de praia foi na Albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros. Em Mirandela e em Bragança há voleibol de praia. Seria interessante promover e divulgar mais estes projetos que surgem espontaneamente e que vão dando outro dinamismo à estrutura do voleibol de praia nacional. Este ano, o Clube de Voleibol de Praia de Carcavelos conseguiu constituir um centro de treino da FPV, proporcionando mais treinos e competições aos jovens do sul. Ainda no âmbito nacional, há que dar mais relevo à formação de árbitros de voleibol de praia. Rui Carvalho, arbitrou a final masculina de voleibol de praia nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Há que aproveitar este momento, planear e investir mais na arbitragem no voleibol de praia. Fazendo então a ponte para o grande palco das competições a nível mundial (Jogos Olímpicos 2012), no feminino o Ouro sorriu para Kerry Walsh e Misty May, pela terceira vez consecutiva. A dupla, que curiosamente começa mal a época, teve o discernimento de perceber o que estava a correr menos bem na sua preparação e pedir ajuda de uma especialista neste domínio do rendimento (mental). A partir daí, tudo começou a correr melhor e, ainda com uma performance um pouco instável quando chegaram a Londres, conseguiram tirar partido de duas grandes personalidades e fazer render a equipa que provou, pela terceira vez, que é mesmo de Ouro. A alternativa seria separarem-se ou desistirem. É a diferença das tomadas de decisão! A Prata ficou com a outra dupla norte americana (Jeniffer Kessy e April Ross) que se preparou bem e que apareceu muito focada para esta competição. Larissa e Juliana conquistaram o Bronze. Creio que poderiam ter conquistado qualquer outra medalha pelos resultados obtidos nestas últimas épocas (são campeãs do mundo, venceram inúmeras etapas, venceram o último Grand Slam na Polónia... falta uma etapa, mas serão as primeiras do ranking mundial). Pecam um pouco, na minha opinião, pela grande instabilidade emocional criada na competição. As chinesas não apareceram na melhor forma, ainda assim conseguiram o 4º lugar. No masculino, o Ouro brilha nas mãos dos alemães Julius Brink e Jonas Reckermann. Depois de uma grave lesão, foram recuperando a forma e tiveram uma prestação brilhante em Londres. Alison e Emanuel deixaram fugir o Ouro, depois de uma recuperação brilhante, quer na meia-final (recuperaram de uma grande desvantagem contra os polacos), quer na final. Fica mais uma medalha de Prata para a fantástica carreira de Emanuel Rêgo. O Bronze foi ganho pelos letões Martins Pavlins e Janis Smedins. Revelaram um excelente nível de rendimento nos vários domínios e comprovaram o seu pico de forma esta época, logo a seguir, com o Ouro no Grand Slam da Polónia. Nos Paralímpicos, propôs-se que o voleibol de praia sentado fosse modalidade exibição. Talvez Debora Morand, grande impulsionadora do projeto, o consiga no Rio 2016. A Academia Praia, trabalhando o ano todo no voleibol de praia (formação, competição, NEE e masters), também proporciona momentos de treino e competição desta modalidade, procurando divulgá-la por cá. “The essential thing in life is not conquering but fighting well.” Pierre de Coubertin Mais artigos de Ana Rita Gomes O CircuitoMundial de Voleibol de Praia Feminino 2010 Os valores e o investimento do volei de praia português O Profissionalismo no volei de praia O Profissionalismo, segundo um tetra-campeão Viagem ao Nacional de Volei de Praia 2009 A Alta Competição no Voleibol de Praia Português Ana Rita Gomes - Dados Biográficos
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