| Segunda, 06 Agosto 2012 11:00 | |||||
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JO Londres 2012
Rui Carvalho em entrevista
![]() Hoje, aos 36 anos, tem no seu currículum mais de 1000 jogos. Participou em 5 Campeonatos do Mundo (2 Séniores e 3 Juniores), 1 Campeonatos da Europa, 1 Taça Continental e várias etapas do Circuito Mundial de Voleibol de Praia.
Rui Carvalho está em Londres 2012 por mérito próprio e é apenas o segundo árbitro português a ter o privilégio de estar nuns Jogos Olímpicos. O primeiro foi Avelino Azevedo nas Olimpíadas dos EUA em Atlanta 1996. Tal como o próprio descreveu, a notícia de que estaria nomeado para Londres 2012 foi recebida de forma efusiva e soube melhor do que o Euromilhões: "quando vi o e-mail da FIVB com a minha nomeação para os Jogos Olímpicos dei um salto tão grande que o funcionário da papelaria da escola perguntou se me tinha saído o Euromilhões. «Não, saiu-me ainda melhor»". O Sovolei esteve com Rui Carvalho em Londres para uma agradável conversa que se transformou na entrevista que transcrevemos de seguida. Luís Melo (Sovolei) - Rui, estar nuns Jogos Olímpicos é um sonho tornado realidade? Rui Carvalho - Sem dúvida! Desde a minha infância que pratico desporto e nunca perdi uns Jogos Olímpicos no sofá. Passar do sofá para a realidade é sem dúvida fantástico e um sonho realizado. Luís Melo (Sovolei) - A presença nuns Jogos Olímpicos foi desde sempre um objectivo? Rui Carvalho - Sim, sempre foi. Desde que entrei para a arbitragem e desde que me tornei internacional que sempre lutei e ambicionava poder estar presente nuns Jogos Olímpicos procurando evoluir nos meus desempenhos para poder vir a ser um árbitro de topo. Luís Melo (Sovolei) - Esteve presente em campeonatos da Europa, do Mundo e agora nos Jogos Olímpicos. Que mais pode querer um árbitro de Voleibol? Rui Carvalho - Continuar em campeonatos do Mundo, em Jogos Olímpicos, etc. Os Jogos Olímpicos são a maior competição que existe. É a cereja no topo do bolo e o que eu quero neste momento é continuar em competições desse nível, se Deus quiser. Luís Melo (Sovolei) - A sua preferência pessoal é pelos holofotes do pavilhão ou pelo sol da praia? Rui Carvalho - (pausa) É dificil responder a isso, mas sem dúvida que sou um "praísta". Adoro praia, adoro mar, adoro a liberdade. E isso sinto na praia. Gosto muito mais de praia, o que não quer dizer que não goste de pavilhão. São modalidades completamente diferentes, ambientes diferentes, mas a minha preferência vai sem dúvida para a praia. Luís Melo (Sovolei) - Durante o ano está no pavilhão e depois no verão na praia, a maior parte do tempo é passado no pavilhão... Rui Carvalho - Sim, pode parecer uma contradição, mas infelizmente não existem competições de praia 12 meses por ano. Mas acaba por ser "ela por ela" porque... digamos, de Outubro a Abril é no pavilhão e são algumas "boas" horas ao fim-de-semana, mas depois quando chega a época da praia de Abril a Setembro são dias inteiros na praia, semanas inteiras. Várias semanas ao longo desses meses. O que se calhar - apesar de nunca ter feito essa contabilidade - acaba por equilibrar as coisas. Luís Melo (Sovolei) - Vejo que os poucos meses na praia, digamos assim, dão mais gozo que os outros todos no pavilhão... Rui Carvalho - Poucos não diria pois acabam por ser sempre 5 a 6 meses no mínimo... Mas contudo, eu não diria que dão mais gozo, equilibram as coisas em termos de tempo e dedicação a duas "modalidades" de que sou um apaixonado. Luís Melo (Sovolei) - Na praia, que dupla de atletas se revelou mais difícil de apitar? E no pavilhão, que jogo recorda como tendo sido o mais complicado? Rui Carvalho - No pavilhão, não tenho de memória nenhum jogo assim mais complicado. Lembro-me a minha primeira final da Taça de Portugal (SC Espinho vs SL Benfica) que é sempre marcante, e vivi intensamente. À partida encaro todos os jogos como sendo difíceis e cabe-me a mim, com a ajuda dos outros intervenientes, tornar o jogo fácil. Vou sempre a contar com jogos difíceis a 5 sets, com a intenção de que as coisas saiam bem. Na praia o mais marcante, não por ter corrido menos bem mas sim pelo seu contexto, foi a final da Finlândia em 2009 entre Alemanha e Holanda, que foi muito publicitada, e onde aconteceram situações menos corretas. Sem dúvida esse foi um jogo marcante. Apesar de não os considerar (aos atletas) como uma dupla difícil de apitar pois já nos voltamos a encontrar diversas vezes e sem qualquer problema. Mas isso ficou para trás, é passado para recordar q.b. e que quando os atletas não ajudam o jogo torna-se complicado e a gestão das emoções torna-se por um lado complicada mas por outro fundamental. Luís Melo (Sovolei) - Está a decorrer neste momento o CNVP em Portugal. Tem 7 etapas Masc (1 delas foi cancelada) e 6 etapas Fem. Qual a sua opinião acerca da forma como todos os anos é organizado o CNVP? Rui Carvalho - Foi com grande contentamento que ouvi que este ano existem mais etapas que o habitual. Obviamente sei que a FPV tem feito muito - principalmente o departamento de marketing e da logística - para procurar novos locais para tentar promover o voleibol de praia e o que é certo é que também com a crise que Portugal e a Europa atravessam não se torna propício às autarquias a organização de uma prova de voleibol de praia, porque isso tem custos bastante altos. Eu penso que a FPV tem feito muito para que o voleibol de praia cresca mais do que até aqui mas é evidente que não pode fazer tudo. Eu sei que há gente que se calhar se revolta um bocadinho com a FPV mas nem tudo depende dela. Se há algumas coisas que a FPV pode modificar ou influenciar, há outras que não pode. E muitas vezes o que sai cá para fora não é o mais coerente ou o mais transparente em relação a todo o processo que envolve a organização de um campeonato. Mas acho que estamos no bom caminho e espero que de ano para ano se aumente o número de etapas. Luís Melo (Sovolei) - Portugal tem condições para ser uma potência no Volei de Praia. Tem praias, bom tempo e atletas com potencial. O que nos faz estar tão longe de outros países (mesmo os nórdicos) em termos competitivos? Rui Carvalho - O profissionalismo! Não o profissionalismo no sentido do empenho, mas o profissionalismo no sentido de treinar 12 meses de volei de praia. Especialmente no circuito mundial (onde são abrangidos muitos países) 99% dos atletas são atletas profissionais de volei de praia. Ou seja, treinam na praia 12 meses por ano. E penso que é isso que nos falta. Agora, será que temos condições para isso? Não sei. Será que temos atletas com vontade de fazer isso? Não sei. Eu quero acreditar que sim. Os centro de alto rendimento de voleibol de praia têm sido uma mais valia. Têm aparecido - principalmente nos escalões de sub - resultados, como por exemplo há pouco tempo nos Jogos da CPLP ou nos campeonatos europeus e mundiais de sub em 2010. Têm aparecido duplas jovens e novas com potencial. Agora, passa também por outra condições, como os atletas terem tempo para se dedicarem a 100% ao voleibol de praia. É evidente que temos um inverno que não proporciona treino na praia, mas teriamos que encontrar outras condições. E se calhar a logística também é um entrave para que no imediato se possa fazer mais. Mas penso que é sempre possivel fazer mais e melhor. Espero bem que destes centros de treino surjam novos atletas, Olímpicos quem sabe. Luís Melo (Sovolei) - Para finalizar gostariamos que deixasse umas palavras de incentivo aos árbitros portugueses. Ao mesmo tempo gostariamos que nos desse 3 razões pelas quais vale a pena ser árbitro de voleibol. Há uns tempos numa entrevista ao Arnaldo Rocha ele dizia que já poucas há... Rui Carvalho - É uma verdade. Eu acho que a maior razão é o gostar. Nenhum de nós anda aqui por dinheiro ou por outros factores. Andamos aqui, e falo por mim e pela maioria, porque gostamos de voleibol e de arbitragem. É isso que nos faz andar aqui. O incentivo aos árbitros portugueses é que continuem o que vêm fazendo até agora. A arbitragem portuguesa está num bom nível. A nível nacional e internacional. Não é à toa que os árbitros portugueses são nomeados para as mais variadíssimas competições internacionais onde estão sempre presentes. A arbitragem portuguesa é reconhecida pelas entidades internacionais e isso é sinal que o trabalho que está a ser feito na formação e no acompanhamento de árbitros está a dar resultados. É evidente que se pode fazer mais e melhor e é para isso que contamos com todos. Temos de estar todos unidos e trabalhar com o mesmo objectivo: melhorar cada vez mais. Outras entrevistas sovolei
Arnaldo Rocha - ex-árbitro de Voleibol
Rogerio Lopes - Treinador da AA Espinho
Roberto Pimentel - Mentor do mini-volei no Brasil
Afonso Seixas - Treinador do CF "Os Belenenses" 2010
Manuel Almeida - Treinador do GC Santo Tirso 2010
Valdir Sequeira - Atleta internacional português do CoprAtlantide Piacenza 2010
Carlos Bizzochi - Treinador–adjunto de selecções brasileiras e de equipas de formação e seniores femininas e masculinas
José Pedrosa / Hugo Gaspar -Campeões Nacionais Voleibol de Praia 2009
Manuel Barbosa - Teinador do CA Trofa 2009
Sara Paranhos - Capitã do CA Trofa 2009Alessandro Chiappini - Treinador da Selecção Sénior Feminina da Turquia 2009
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